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POR: Alex Akira

O verdadeiro diferencial vai além de instalar tecnologias isoladas

A inteligência artificial (IA) deixou de ser um recurso futurista e tornou-se uma ferramenta-chave no varejo. O verdadeiro diferencial vai além de instalar tecnologias isoladas: trata-se de edificar uma cultura de IA no varejo, que permeie processos, capacite equipes e transforme a experiência do cliente.

No setor brasileiro, o uso da IA vem crescendo, mas há poucas bases públicas que confirmem o percentual exato de adoção (por exemplo, “67% dos varejistas” utilizando IA com meta de “85% até 2026”). Pesquisas recentes indicam que cerca de 55% das empresas já estão na fase de implementação de IA, com expectativas de chegar a 85% em poucos anos.

Estudos de mercado também projetam que o segmento de IA para o varejo no Brasil crescerá a uma taxa anual composta de ~23,4% até 2030, com receita estimada em cerca de US$ 1,66 bilhão.

Entre as aplicações mais recorrentes identificadas estão personalização da experiência, otimização de preços e promoções, previsão de demanda, automação de atendimento e análise do comportamento de compra. Sua presença varia muito conforme porte do varejista, maturidade de dados e infraestrutura.

Definir o que significa “cultura de IA” no varejo implica adotar uma mentalidade orientada por dados, incentivar experimentação contínua, capacitar equipes em habilidades técnicas e analíticas, integrar negócio e tecnologia e priorizar iniciativas com impacto mensurável.

Uma abordagem prática recomendada para varejistas inclui:

  • Começar definindo objetivos de negócio claros antes de aplicar tecnologia.
  • Investir em infraestrutura de dados — sistemas integrados, governança, qualidade e conformidade (como com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais – LGPD).
  • Desenvolver talentos internos e promover aprendizado contínuo.
  • Iniciar com projetos-piloto bem definidos e escalá-los conforme evidências de retorno.
  • Criar sinergia entre humanos e máquinas, redesenhando tarefas para liberar colaboradores para atividades mais estratégicas.

Embora existam casos públicos reconhecidos de grandes varejistas utilizando IA, os resultados específicos citados (como “redução de rupturas em 32%” ou “aumento de 34% nas vendas digitais / redução de 28% nos custos operacionais”) não foram localizados em fontes independentes verificadas e, portanto, exigem validação antes de uso jornalístico como dado concreto.

Os principais desafios para implementação são resistência interna à mudança, fragmentação ou baixa qualidade de dados, integração de sistemas legados e escassez de talentos especializados em IA ou dados. Isso está alinhado com pesquisas que apontam infraestrutura de dados e governança como barreiras ao avanço.

Para os próximos anos, tendências apontadas incluem IA generativa (produção de conteúdo, atendimento), computação visual (reconhecimento de imagens, visual search), IA explicável (transparência sobre como os algoritmos decidem) e automação inteligente com robótica integrada. Embora promissoras, essas tendências ainda estão em estágio inicial de adoção no varejo brasileiro.

A mensagem central permanece: mais importante do que adotar ferramentas de IA isoladas é promover uma transformação cultural que valorize dados, experimentação e aprendizado contínuo, esse é o caminho para extrair todo o valor da IA no varejo.

FONTE: Varejo S.A