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POR: Alex Akira

Entregar bem virou parte central da experiência de compra e um fator de decisão. Em pesquisas recentes sobre comportamento online no Brasil, preço do frete, prazo e visibilidade do pedido estão entre os critérios que mais pesam para o consumidor, ao lado de preço e confiança na loja. Em 2024, por exemplo, levantamento citado pela CNDL/SPC Brasil destacou o frete grátis como um dos principais gatilhos de compra no e-commerce brasileiro. Análises de mercado reiteraram que os prazos prometidos e a logística de devolução influenciaram a conversão e a reputação das marcas.

Mesmo sem a escala de grandes redes, pequenos e médios varejistas têm uma prateleira crescente de soluções para baratear frete, ganhar velocidade e dar transparência ao cliente. Plataformas de intermediação como Melhor Envio e Frenet conectam a loja a diversas transportadoras, com cotação automática por CEP e integração a marketplaces e plataformas de e-commerce; já TMS em nuvem, como o da Intelipost, centralizam auditoria de fretes, rastreamento e regras de seleção de transportadoras em um único painel. Essas soluções reduzem a dependência de negociações individuais e simplificam a operação.

Para o “último quilômetro”, alternativas sob demanda ajudam a equalizar custo e rapidez. A Loggi opera rede nacional de coletas e entregas para e-commerce e empresas; iFood e Rappi expandiram ofertas de logística além de restaurantes, permitindo a lojas e farmácias usarem entregadores de curta distância em modelos on-demand, úteis para raio local e janelas de entrega mais curtas.

Outra via é combinar modelos: entrega própria em um raio curto (com roteirização simples) e parceiros para distâncias maiores. O “clique e retire” (retirada em loja) segue relevante ao reduzir custo de frete e aumentar o fluxo no ponto físico – tendência recorrente em varejo omnichannel e reforçada por relatórios setoriais. Em mercados densos, a microdistribuição urbana e as “dark stores” (pontos compactos para separação e despacho rápido) ganharam tração, encurtando o tempo entre pedido e entrega; estudos sobre last mile e dark stores em São Paulo mapeiam essa expansão e seu impacto na velocidade de atendimento.

Três frentes práticas para começar sem grandes investimentos:

Transparência e política de frete inteligente. Testes A/B com frete grátis acima de um valor mínimo ou faixas de desconto progressivo costumam elevar ticket médio e conversão, desde que a margem da cesta sustente o subsídio. A comunicação de prazos e restrições antes do checkout reduz abandono e suporte pós-venda, um ponto crítico em datas promocionais.

Rastreamento e comunicação proativa. Ferramentas TMS e hubs de frete enviam notificações automatizadas em cada etapa (coleta, transporte, tentativa de entrega). Esse acompanhamento, preferencialmente por e-mail e WhatsApp, atende à expectativa de “visibilidade total” e diminui contatos ao SAC.

Tecnologia de balcão acessível. Integrações de frete (Melhor Envio, Frenet), etiquetas eletrônicas de postagem e regras simples de seleção (pelo CEP, peso e SLA) padronizam a expedição e reduzem erros. Para last mile local, apps de entregadores sob demanda são adequados a picos ou janelas expressas, sem frota própria.

No horizonte, a tendência é de last mile mais inteligente: crescimento do mercado de logística de varejo e de entregas do “último quilômetro” no Brasil, impulsionados por e-commerce e expectativas de prazos menores; mais automação leve (picking e roteirização) e a consolidação de hubs urbanos e operações “dark” para encurtar percursos. Para pequenos varejistas, a boa notícia é que quase tudo isso já está disponível como serviço, com assinatura mensal e sem capex elevado

FONTE: Varejo S.A