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POR: Alex Akira

Carnaval 2026 será concentrado em itens essenciais, de reposição rápida e fácil acesso

O Carnaval de 2026 deve confirmar uma tendência já observada nos últimos anos: o consumo existe, mas é pragmático. Em vez de grandes gastos com itens supérfluos ou compras planejadas com antecedência, o dinheiro circula principalmente em categorias ligadas à conveniência, ao consumo imediato e à experiência básica da folia.

É o que mostra a pesquisa “Intenção de Consumo Carnaval 2026”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas. Entre os consumidores que pretendem gastar no período, 95% afirmam que vão comprar produtos e 88% planejam contratar serviços, mas o perfil desses gastos é bastante concentrado.

Bebidas lideram o carrinho da folia

No ranking de produtos mais consumidos durante o Carnaval, as bebidas aparecem como protagonistas absolutos. Itens como água, sucos, energéticos ou chás (55%) lideram as intenções de compra, seguidos por cerveja e chopp (50%) e refrigerantes (44%).

O dado reflete um consumo funcional, ligado à hidratação, ao clima quente e à permanência prolongada nas ruas e eventos. Mais do que indulgência, trata-se de reposição constante, o tipo de compra que acontece várias vezes ao longo do período.

Outro destaque é a alimentação fora do lar. Comidas e lanches consumidos fora de casa aparecem com 48% das intenções, enquanto itens para churrasco (43%) reforçam o peso de encontros informais entre amigos e familiares.

O perfil das celebrações ajuda a explicar esse comportamento. Reuniões em casa, blocos de rua e eventos próximos ao bairro favorecem compras rápidas, práticas e de fácil compartilhamento, beneficiando supermercados, lojas de bairro, bares e serviços de entrega.

Serviços urbanos concentram a maior parte do gasto

No campo dos serviços, o consumo também segue uma lógica de proximidade e conveniência. Bares e restaurantes lideram as contratações (45%), seguidos por transporte particular (39%) e serviços de beleza (26%), como manicure, cabeleireiro, depilação e bronzeamento.

Passagens e hospedagem aparecem, mas com menor peso, indicando que o Carnaval de 2026 tende a ser mais urbano e local para a maioria dos consumidores que pretendem gastar.

Onde o dinheiro é gasto importa tanto quanto o quê

Os locais de compra reforçam esse padrão. Supermercados lideram (55%), seguidos por lojas de rua e de bairro (36%), internet (35%) e aplicativos de entrega (30%). A combinação revela um consumidor que prioriza acesso rápido, reposição fácil e múltiplos canais, escolhidos conforme a necessidade do momento.

Não há fidelidade ao ponto de venda, mas à solução mais conveniente.

Consumo imediato, decisão tardia

Um dado estratégico para o comércio é que 48% dos consumidores que pretendem gastar ainda não definiram quanto vão desembolsar. A indefinição sugere que boa parte das compras ocorrerá de forma espontânea, impulsionada pelo clima da festa e pela facilidade de acesso aos produtos e serviços.

Esse comportamento favorece quem consegue estar presente no momento certo, com oferta clara, preços competitivos e operação ágil.

O Carnaval de 2026 não será marcado por grandes tickets médios generalizados, mas por volume, recorrência e conveniência. Vence quem vende rápido, resolve uma necessidade imediata e está próximo do consumidor, física ou digitalmente.

Bebida, comida e serviços urbanos não apenas acompanham a folia. Eles sustentam o consumo real do Carnaval. Para o varejo, o desafio não é criar desejo, mas estar disponível quando o desejo aparece.

FONTE: Varejo S.A