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POR: Alex Akira

A maioria vai pular Carnaval, mas apenas uma parcela pretende abrir a carteira

Nem todo mundo que vai para a rua vai gastar. Esse é o retrato mais fiel do Carnaval de 2026. A festa segue como um dos eventos mais populares do calendário brasileiro, mas o consumo acompanha uma lógica bem mais restritiva. O comportamento do folião revela uma combinação clara de presença ampla e gasto concentrado.

Segundo a pesquisa “Intenção de Consumo Carnaval 2026”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, apenas 25% dos consumidores afirmam que pretendem gastar com produtos ou serviços ligados ao Carnaval, o que representa cerca de 41,4 milhões de pessoas. O dado reforça que a folia continua sendo coletiva, mas a movimentação econômica não acompanha o mesmo ritmo da participação.

Participar não significa consumir

O Carnaval permanece acessível. Blocos de rua, encontros com amigos e eventos gratuitos seguem como as principais formas de celebração. Entre quem pretende gastar, 88% afirmam que vão participar de alguma festividade, mas a maioria opta por formatos mais simples e menos onerosos.

Reuniões em casa, encontros informais e deslocamentos curtos ajudam a explicar por que a festa cresce em presença, mas não necessariamente em volume de consumo.

Entre os consumidores que planejam gastar, o consumo é real e direcionado. Produtos e serviços ligados à alimentação, bebidas, transporte e lazer urbano concentram a maior parte das intenções. Ainda assim, trata se de um grupo específico, com capacidade financeira maior ou disposição para assumir gastos pontuais.

Para o comércio, isso significa lidar com um público menor, porém mais relevante em termos de faturamento. O desafio não está em atrair multidões, mas em disputar a atenção de quem efetivamente consome.

Indefinição reforça seletividade

Outro traço marcante do Carnaval de 2026 é a falta de planejamento detalhado. Quase metade dos consumidores que pretendem gastar ainda não sabe quanto vai desembolsar, o que indica decisões tomadas mais perto da data e forte sensibilidade ao contexto.

Essa indefinição reforça um consumo seletivo, guiado pela ocasião, pela conveniência e pelo custo benefício percebido no momento.

Desigualdade aparece no ritmo do consumo

O comportamento também escancara diferenças sociais. Enquanto consumidores das classes A e B demonstram maior disposição para gastar mais, as classes C, D e E lideram a intenção de reduzir despesas. O resultado é um Carnaval vivido de forma parecida nas ruas, mas muito diferente no bolso.

A festa é a mesma. A experiência financeira, não.

O que muda para o varejo

O Carnaval de 2026 não será marcado por expansão generalizada de vendas, mas por oportunidades concentradas e de curto prazo. Vence quem entende o tempo da decisão, opera com conveniência e consegue capturar o consumo no momento em que ele acontece. A leitura é clara. A festa está garantida. O consumo, não.

FONTE: Varejo S.A