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Indicadores financeiros seguem mal compreendidos por pequenos e médios negócios; especialista alerta que erro compromete gestão e acelera crises empresariais
A interpretação incorreta de indicadores como EBITDA e margem de lucro permanece entre as principais falhas de gestão financeira nas empresas brasileiras. Levantamento do Sebrae mostra que 46% dos micro e pequenos empresários tomam decisões com base em percepções intuitivas e não em métricas estruturadas, o que contribui para erros de análise e aumento do risco de descapitalização. A confusão entre a força operacional do negócio e o resultado efetivamente gerado no caixa é um dos pontos mais críticos.
Segundo Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em reestruturação empresarial com 14 anos de atuação, o equívoco é mais comum do que se imagina e afeta diretamente a sustentabilidade dos negócios. “Há empresários que comemoram um EBITDA alto, mas ignoram que a margem líquida é negativa. Isso cria uma falsa sensação de saúde financeira e adia decisões essenciais para evitar crise”, afirma o especialista.
O EBITDA indicador que mede o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização ganhou popularidade entre gestores e investidores, mas seu uso isolado pode mascarar problemas. Já a margem de lucro reflete o que realmente sobra após todas as despesas, sendo o parâmetro mais fiel para avaliar viabilidade econômica.
Dados recentes do IBGE apontam que mais de 60% das empresas brasileiras operam com margens líquidas inferiores a 10%, índice que, combinado à confusão conceitual, amplia o risco de superestimar resultados. “O empresário olha o número bruto e acredita que o negócio está saudável. Só percebe o rombo quando o caixa não fecha”, explica Pelozato.
O cenário é agravado pela falta de acompanhamento técnico. Informações analisadas pelo Serasa Experian mostram que 7,3 milhões de empresas registraram inadimplência em 2024, acumulando R$170 bilhões em dívidas. Grande parte delas, segundo especialistas, poderia ter evitado esse quadro com leitura correta dos indicadores e planejamento financeiro prévio.
Para Pelozato, o problema está na base da cultura de gestão do país. “O uso de métricas sem compreensão leva empresários a confiar em números que enganam. Quando a diferença entre EBITDA e margem de lucro fica clara, as decisões passam a ser mais estruturadas e coerentes com a realidade do negócio”, afirma.
A compreensão técnica desses indicadores, segundo o especialista, deve ser incorporada à rotina de análise mensal, ao lado de fluxo de caixa, endividamento e estrutura de custos. “É uma mudança simples, mas que impacta diretamente a sobrevivência e evita que a empresa entre em rota de colapso. Gestão não se faz por impressão: se faz por métrica”, conclui.
A leitura adequada dessas informações tem sido uma das pautas centrais entre profissionais de reestruturação e consultores financeiros, especialmente em um cenário marcado por margens estreitas e inadimplência elevada. A recomendação é que empresários revisem seus relatórios com apoio técnico e adotem parâmetros consistentes antes de decisões sobre expansão, crédito ou renegociação.
FONTE: Varejo S.A
