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POR: Marina Barbosa
Dentro do universo de reincidentes de janeiro, a maior parte, 65,16%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente
Em janeiro de 2025, o Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), revelou que do total de negativações, 84,91% foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.
Dentro do universo de reincidentes de janeiro, a maior parte, 65,16%, ainda não havia quitado as pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 19,75% tinham saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 15,09% dos negativados em janeiro não estiveram com restrições no CPF ao longo do último ano.

Um dado de atenção é o tempo médio decorrido entre o vencimento de uma dívida e o vencimento de demais pendências para os reincidentes: em janeiro, esse período foi de 73,9 dias. Isso significa que, em média, após cerca de 2,5 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence.
Os dados do indicador mostram que, nos últimos 12 meses encerrados em janeiro de 2026, houve um crescimento de 13% no número de devedores reincidentes, aqueles que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes no período analisado. A comparação é com os 12 meses anteriores.

“Janeiro costuma ser um mês de ressaca financeira, e o índice de reincidência expõe a fragilidade do orçamento doméstico. O retorno rápido de quase 20% dos consumidores ao cadastro de inadimplentes, após terem saído dele nos últimos 12 meses, sugere que o problema vai além da falta de dinheiro; trata-se de uma dificuldade em manter a saúde financeira a longo prazo. O consumidor limpa o nome para recuperar o acesso ao crédito, mas, sem uma reserva de emergência ou mudança de hábitos, acaba caindo nas mesmas armadilhas de consumo que o levaram à primeira negativação”, destaca o presidente da CNDL, José César da Costa.
Perfil dos devedores reincidentes
A análise do perfil dos devedores reincidentes em janeiro de 2026 aponta que a faixa etária de 30 a 39 anos continua sendo a mais representativa, com 25,28% do total. Quanto à participação por sexo, a distribuição se mantém equilibrada: 53,82% mulheres e 46,18% homens.

O Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas do SPC Brasil mostra a evolução do número de consumidores que deixaram os cadastros de inadimplentes por terem realizado o pagamento das suas dívidas em atraso. São utilizadas as informações de saídas de CPFs das bases às quais o SPC Brasil tem acesso. Em conjunto com os dados de reincidência, esses dados permitem melhor monitoramento da inadimplência no país, que atinge cerca de 43,88% da população adulta.
Recuperação de Crédito piora
Paralelamente à alta reincidência, o Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas, que acompanha o número de consumidores que conseguiram sair dos cadastros de inadimplentes, registrou uma queda ainda mais acentuada. Nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026, houve uma redução de ‐6,82% no número de consumidores que limparam o nome, em comparação com os 12 meses anteriores.

A queda do indicador acumulado em 12 meses se concentrou na diminuição da recuperação de consumidores que levaram de 4 a 5 anos (‐23,04%) para efetuarem o pagamento de todas suas dívidas.

Ao observar o perfil dos consumidores que efetivamente recuperaram o crédito em janeiro, a faixa etária de 50 a 64 anos teve a maior participação, com 24,62, sendo 51,42% mulheres e 48,58% homens.

O valor médio pago por consumidor recuperado em janeiro de 2026 foi de R$ 1.954,03 na soma de todas as dívidas que tinha. Os dados ainda mostram que 65,19% pagaram até R$ 500 nas dívidas que possuíam.

“A queda de 6,82% no número de brasileiros que conseguiram limpar o nome é um indicador crítico da paralisia econômica que enfrentamos. Quando a recuperação de crédito desacelera enquanto a reincidência permanece alta, o impacto social é imediato: temos uma massa de cidadãos invisíveis para o mercado formal, o que aprofunda as desigualdades. Economicamente, isso representa um freio no consumo das famílias e, consequentemente, no PIB. Sem a reabilitação financeira do consumidor, o varejo perde força e o custo do crédito tende a subir para todos, gerando um ambiente de incerteza que prejudica o crescimento sustentável do país”, alerta o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior.
FONTE: Varejo S.A


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