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Com avanço consolidado em relação ao ano anterior, o varejo físico mostra resiliência no início de 2026

varejo físico brasileiro inicia 2026 com sinais de resiliência e ajustes naturais após a sazonalidade de fim de ano. De acordo com o Índice de Performance do Varejo (IPV), organizado pela HiPartners Capital & Work, o fluxo de visitas em shopping centers registrou crescimento de 3% em janeiro de 2026 na comparação com janeiro de 2025.

No consolidado de lojas físicas, o fluxo apresentou alta de 1% no mesmo comparativo anual, indicando estabilidade e manutenção da base de consumidores. Já as lojas situadas em rua registraram retração de 17% em fluxo, além de queda de 2% tanto em vendas (cupons) quanto em faturamento, movimento que reforça a diferença de dinâmica entre formatos e regiões.

Destaques regionais

O recorte regional reforça a heterogeneidade do varejo brasileiro, com dinâmicas distintas entre os mercados. A região Norte se destaca de forma consistente, registrando crescimento expressivo de 110% no fluxo acumulado em 12 meses e avanço de 10% no faturamento, sinalizando expansão de atividade e maior intensidade de consumo.

O Centro-Oeste também apresentou evolução sólida, com alta de 3% no volume financeiro, demonstrando um ambiente regional favorável e maior estabilidade operacional.

Sul e Nordeste mantiveram patamares próximos à estabilidade, enquanto o Sudeste registrou leve retração de 1% no faturamento, movimento que sugere acomodação após períodos mais fortes, mas ainda dentro de um cenário de ajuste controlado, sem sinais de deterioração estrutural da demanda.

Segmentos e comportamento de consumo

A análise por segmentos reforça a resiliência de categorias essenciais e de conveniência. O setor farmacêutico, de perfumaria e cosméticos mantém protagonismo, com alta de 110% no fluxo em relação a janeiro do ano anterior, enquanto móveis e eletrodomésticos e outros artigos de uso pessoal e doméstico também seguem contribuindo com altas de 8% e 12%, respectivamente.

O volume de cupons no acumulado nacional ainda apresenta retração (-1%), influenciado principalmente por mercados mais maduros, mas regiões como Norte (+6%) e Nordeste (+1%) mostram sinais de recomposição gradual da atividade transacional.

Para Flávia Pini, sócia da HiPartners, os dados de janeiro mostram um varejo físico mais seletivo, mas estruturalmente mais preparado. “O crescimento em shopping centers e o desempenho expressivo em regiões como o Norte indicam que, quando há estratégia e gestão baseada em dados, o resultado aparece. Temos observado que varejistas que investem em tecnologia, seja para inteligência de sortimento, precificação dinâmica, personalização da jornada ou eficiência operacional, conseguem proteger margens e sustentar fluxo mesmo em meses de ajuste sazonal. A digitalização do ponto de venda deixou de ser diferencial e passou a ser infraestrutura básica de competitividade”, afirma.

FONTE: Varejo S.A