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Mais dados não significa necessariamente mais clareza. Especialistas alertam para o risco de organizações confundirem monitoramento com inteligência
A explosão de dados corporativos criou uma contradição no ambiente de negócios: empresas nunca tiveram tanto acesso à informação e, ao mesmo tempo, enfrentam mais dificuldade para transformá-la em decisões relevantes.
O avanço das plataformas digitais, da inteligência artificial e das ferramentas de monitoramento ampliou de forma significativa a capacidade de acompanhar movimentos de mercado, comportamento de consumidores e presença na mídia. O problema é que o aumento da oferta de dados nem sempre resulta em maior capacidade de interpretação.
Levantamento da Deloitte mostra que 67% dos executivos ainda afirmam não se sentir confortáveis para acessar ou utilizar dados de forma efetiva nos processos de decisão, mesmo em organizações consideradas mais maduras digitalmente.
Para alguns especialistas, a dificuldade não está mais na obtenção das informações, mas na capacidade de separar sinais relevantes de ruído. “Muitas empresas acreditam que estão bem informadas porque recebem um grande volume de dados todos os dias. Mas quantidade não significa entendimento. Em muitos casos, o excesso de informação acaba dificultando a leitura do cenário”, afirma Cassiano de Bernardis, diretor da Sinopress e um entusiasta do setor.
O desafio se torna ainda mais evidente nas áreas de comunicação corporativa. Com a multiplicação de veículos digitais, newsletters, portais especializados e plataformas sociais, o volume de conteúdo relacionado a marcas e setores cresceu exponencialmente nos últimos anos. Nesse contexto, o monitoramento tradicional deixa de ser suficiente.
Mais do que acompanhar menções ou medir exposição, cresce a demanda por análises capazes de identificar mudanças de narrativa, temas emergentes e possíveis impactos reputacionais. “A informação tem valor quando ajuda a compreender contexto. Sem interpretação, os dados registram o que aconteceu, mas dificilmente ajudam a entender o que está mudando”, afirma o executivo.
A tendência, segundo especialistas, é que a inteligência de mídia ocupe um espaço cada vez mais estratégico nas organizações, aproximando comunicação, gestão de risco e tomada de decisão.
FONTE: Varejo S.A
