FOTO: Envato
POR: Alex Akira
Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do SPC Brasil revela que entraves estruturais seguem limitando a expansão dos negócios, mesmo em um cenário de retomada moderada das vendas
Empreender no Brasil continua sendo um exercício de resistência. Apesar de sinais pontuais de recuperação no faturamento e do esforço de adaptação por parte dos empresários, o ambiente de negócios segue marcado por obstáculos históricos que dificultam o crescimento sustentável das empresas. É o que mostra a pesquisa “Gestão e confiança do empresário”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas.
De acordo com o levantamento, 93% das empresas afirmam enfrentar barreiras relevantes ao crescimento. O dado, praticamente unânime, revela que as dificuldades não são pontuais nem restritas a setores específicos — elas fazem parte da rotina do empresariado brasileiro.
Entre os principais entraves apontados, os altos custos trabalhistas e a tributação sobre a folha de pagamento lideram, citados por 34% dos empresários. Logo em seguida aparece a carga tributária elevada, mencionada por 32%. Juntos, esses fatores reforçam uma percepção já conhecida: crescer, contratar e formalizar no Brasil ainda custa caro.
A dificuldade de acesso ao crédito também surge como barreira importante para 19% das empresas, especialmente entre pequenos negócios e empreendedores do interior do país. Em um ambiente de juros elevados e exigências rigorosas, muitas empresas simplesmente não conseguem financiar expansão, modernização ou capital de giro.
Ambiente externo desfavorável amplia a cautela
O cenário macroeconômico contribui para essa sensação de dificuldade. A pesquisa mostra que 50% dos empresários acreditam que a economia brasileira piorou nos últimos seis meses, enquanto apenas 20% enxergam melhora, índice que caiu em relação a 2024. O aumento do pessimismo se reflete diretamente nas decisões de investimento e contratação.
Não por acaso, 61% dos empresários afirmam que não pretendem contratar crédito nos próximos 90 dias, sinalizando uma postura defensiva. O foco, neste momento, é manter a operação funcionando, controlar custos e evitar riscos maiores.
Apesar das barreiras, a pesquisa também aponta sinais de reação. 51% das empresas registraram aumento de vendas ou faturamento no primeiro semestre, e 48% realizaram algum tipo de investimento no período. No entanto, esse crescimento não foi suficiente para garantir estabilidade financeira para todos.
Quase metade dos empresários (45%) precisou cortar orçamento, 25% enfrentaram meses consecutivos no vermelho e 15% realizaram demissões. Os dados mostram um cenário ambíguo: há movimento e esforço, mas com margem curta e pouca segurança para avançar.
Gestão conservadora como resposta
Diante de tantas incertezas, a resposta predominante tem sido a gestão conservadora. Os empresários seguem investindo, mas de forma cautelosa e muitas vezes defensiva, priorizando estoque, manutenção do espaço físico e ajustes operacionais, em vez de planos mais agressivos de expansão.
Esse comportamento ajuda a explicar por que, mesmo com crescimento pontual, a geração de empregos permanece limitada e o ritmo de expansão segue lento.
Entraves antigos, impacto atual
O dado de que 93% das empresas enfrentam barreiras relevantes reforça um diagnóstico conhecido, mas ainda não superado. Custos elevados, complexidade tributária, dificuldade de crédito e insegurança econômica formam um ambiente que exige do empresário brasileiro mais resiliência do que estratégia.
Enquanto esses entraves persistirem, crescer continuará sendo um desafio — não por falta de iniciativa ou esforço, mas por um contexto que impõe limites claros à ambição empresarial.
FONTE: Varejo S.A
