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POR: Alex Akira

Saída da Seleção Brasileira muda o ritmo de consumo e exige ajustes rápidos em produtos temáticos, alimentos, bebidas, bares, restaurantes e delivery

A eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026 deve obrigar o varejo a rever parte das estratégias planejadas para a reta final da competição. Com o Brasil fora da disputa, produtos, campanhas e promoções fortemente ligados aos jogos da Seleção tendem a perder força, exigindo uma adaptação rápida de supermercados, bares, restaurantes, lojas de artigos esportivos, comércios de rua, aplicativos de entrega e pequenos negócios.

A Copa do Mundo ainda continua, com jogos decisivos, semifinais e final. Mas, para o consumidor brasileiro, o apelo emocional muda. A expectativa de reunir amigos para torcer pelo Brasil, comprar produtos da Seleção, usar camisetas verde e amarelas ou preparar encontros a cada partida perde parte do impulso. Para o comércio, isso significa trocar o foco da comunicação: menos “torcida pelo Brasil” e mais “experiência de Copa”, “reta final do Mundial”, promoções e conveniência.

De acordo com a pesquisa “Intenção de compras para Copa do Mundo 2026”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, 60% dos consumidores pretendiam comprar produtos ou contratar serviços durante o período da Copa do Mundo. A estimativa era de que cerca de 99,2 milhões de brasileiros movimentassem o comércio por causa da competição.

O ticket médio previsto para os gastos extras era de R$ 619, chegando a R$ 784 entre consumidores das classes A e B. Com a eliminação da Seleção, parte desse potencial de consumo ainda pode ser aproveitada, mas o varejo precisará ajustar preços, estoques, vitrines e campanhas para o novo momento da competição.

Produtos da Seleção exigem atenção imediata

Os itens mais diretamente ligados à Seleção Brasileira estão entre os que mais exigem replanejamento. Camisas, uniformes, bandeiras, bonés, acessórios, itens de decoração e produtos temáticos tendem a ter queda de procura após a eliminação, especialmente aqueles com comunicação muito vinculada à campanha do Brasil no Mundial.

Antes da saída da Seleção, a pesquisa mostrava que vestuário, incluindo roupas, camisetas e uniformes específicos da Seleção Brasileira ou da Copa do Mundo, estava nos planos de 61% dos consumidores que pretendiam comprar no período. Além disso, 47% pretendiam comprar produtos oficiais, motivados principalmente pela percepção de qualidade e durabilidade.

Com o Brasil eliminado, o desafio é evitar estoque parado. Para o varejista, uma saída é reposicionar esses produtos rapidamente. Itens oficiais, camisetas, acessórios e produtos nas cores do Brasil podem entrar em ações promocionais, liquidações temáticas ou ofertas de fim de Copa. Também é possível destacar usos fora dos jogos, como peças casuais, artigos esportivos e produtos colecionáveis.

O importante é não manter a mesma narrativa de antes. Campanhas que dependiam da continuidade da Seleção precisam ser atualizadas para não parecerem deslocadas. A comunicação deve reconhecer o novo contexto e trabalhar preço, oportunidade e conveniência.

Supermercados podem adaptar ofertas para a reta final

Nos supermercados, o impacto tende a ser diferente. A eliminação do Brasil pode reduzir picos de consumo ligados aos jogos da Seleção, mas alimentos e bebidas ainda podem ser aproveitados em promoções para a reta final da Copa.

A pesquisa apontava que os produtos mais desejados para o período eram bebidas não alcoólicas, como refrigerantes, água, sucos, energéticos e chás, citadas por 68% dos consumidores; petiscos, com 62%; itens para churrasco, com 60%; e cervejas, com 59%.

Essas categorias continuam relevantes porque não dependem exclusivamente da presença do Brasil. Jogos decisivos, finais de semana, encontros entre amigos e a final do Mundial ainda podem gerar demanda por comida, bebida e produtos de conveniência.

Para os supermercados, a estratégia pode ser reorganizar ilhas promocionais, trocar a comunicação de “jogo do Brasil” por “reta final da Copa”, criar combos de petiscos e bebidas, reforçar ofertas de churrasco para jogos decisivos e aproveitar produtos com maior giro fora do contexto esportivo.

O varejo físico segue como canal importante. Segundo a pesquisa, 70% dos consumidores pretendiam fazer compras em supermercados durante a Copa, enquanto 33% citavam lojas de rua ou de bairro. Esses canais podem capturar compras de reposição e consumo imediato mesmo após a eliminação da Seleção.

Bares e restaurantes precisam vender experiência, não só torcida

Para bares e restaurantes, a mudança talvez seja ainda mais sensível. Sem o Brasil em campo, a motivação para sair de casa pode diminuir para parte do público. Por isso, a estratégia precisa deixar de depender apenas da camisa da Seleção e passar a valorizar a experiência.

A pesquisa indicava que 39% dos consumidores pretendiam ir a bares e restaurantes durante a Copa do Mundo. Entre os critérios mais importantes para escolher um estabelecimento estavam preço das comidas, citado por 37%, lugar bem frequentado, com 34%, qualidade das bebidas e da comida, também com 34%, e preço das bebidas, com 33%.

Esses dados se tornam ainda mais importantes depois da eliminação. Com menor apelo emocional, o consumidor tende a pesar mais o custo-benefício. Para manter movimento, bares e restaurantes podem apostar em promoções para jogos decisivos, cardápios especiais, reservas para grupos, telões, música, ações temáticas e combos com preço claro.

A final da Copa, semifinais e jogos de seleções populares ainda podem atrair público, mas dificilmente com a mesma força de uma partida do Brasil. Por isso, a operação precisa ser ajustada para evitar excesso de equipe, compras superdimensionadas e desperdício de insumos.

Delivery pode capturar o consumo mais casual

O delivery também pode se beneficiar de uma mudança no comportamento do consumidor. Sem a Seleção Brasileira, parte do público pode desistir de sair para bares ou restaurantes, mas ainda manter o hábito de acompanhar jogos importantes em casa.

Segundo a pesquisa, o delivery de comida e bebida era o serviço mais pretendido para a Copa, citado por 61% dos consumidores. Esse dado mostra que há espaço para restaurantes, lanchonetes, pizzarias, hamburguerias, supermercados e lojas de conveniência manterem ações específicas para a reta final do torneio.

A diferença está no tom. Em vez de campanhas centradas na torcida brasileira, o delivery pode trabalhar praticidade, encontros em casa, jogos decisivos e promoções de fim de Copa. Combos menores, ofertas para grupos e entregas programadas podem ajudar a manter o consumo sem depender exclusivamente do entusiasmo nacional.

Comunicação precisa mudar rápido

A principal recomendação para o varejo é revisar a comunicação imediatamente. Peças publicitárias, vitrines, posts em redes sociais, banners, ofertas em aplicativos e campanhas de WhatsApp precisam acompanhar o novo momento.

Mensagens como “rumo ao hexa”, “jogo do Brasil” ou “torça pela Seleção” perdem sentido depois da eliminação. No lugar, o varejo pode usar abordagens como “reta final da Copa”, “últimos jogos do Mundial”, “promoções de fim de Copa”, “semifinais com oferta especial” ou “prepare-se para a final”.

Essa mudança evita ruído com o consumidor e mostra agilidade do negócio. Também ajuda a reposicionar produtos que ainda têm potencial de venda, mesmo sem o Brasil na disputa.

Replanejamento evita perdas

A eliminação da Seleção Brasileira reduz parte do entusiasmo, mas não elimina completamente as oportunidades comerciais da Copa do Mundo. O varejo que agir rápido pode minimizar perdas, girar estoque, adaptar promoções e manter relevância até o fim do torneio.

O momento pede revisão de estoque, ajuste de preços, mudança de comunicação, atenção ao desperdício e criatividade para transformar a reta final da Copa em uma nova ocasião de consumo.

Para quem se preparou esperando uma trajetória mais longa do Brasil, a saída precoce exige uma virada de chave. O jogo mudou. Agora, o desafio do varejo é sair da dependência da Seleção Brasileira e encontrar novas formas de manter o consumidor interessado até a final.

FONTE: Varejo S.A