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POR: Colaborador
A eficiência operacional segue como uma prioridade nas grandes empresas, mas, em 2026, o desafio deixou de ser apenas cortar custos
A eficiência operacional segue como uma prioridade nas grandes empresas, mas, em 2026, o desafio deixou de ser apenas cortar custos. O foco agora está em identificar e eliminar desperdícios invisíveis que se acumulam ao longo da operação — da logística à tomada de decisão. Em um cenário mais competitivo e orientado por dados, essas ineficiências têm impacto direto na margem do negócio.
Um dos principais pontos de perda está na logística, que deixou de ser uma área de suporte para se tornar estratégica. Ainda assim, muitas empresas seguem operando com decisões logísticas estáticas, sem considerar variáveis como localização do cliente, custo ou prazo em tempo real. Isso resulta em distâncias maiores, prazos desalinhados e uso ineficiente da malha de estoque.
A adoção da chamada logística de precisão vem mudando esse cenário. Com sistemas avançados de gestão de pedidos (OMS), as empresas passam a orquestrar decisões em tempo real, considerando múltiplas variáveis simultaneamente. O impacto é direto: redução de custos, maior eficiência operacional e melhora na experiência do cliente.
Outro ponto crítico é a gestão de estoque. Muitas vezes, o problema não é a falta de um produto, mas sua má alocação. Com isso, itens disponíveis não são vendidos por estarem no lugar errado ou desconectados dos canais de venda.
Nesse contexto, o estoque passa a ser tratado como um ativo estratégico. Com o uso de dados e inteligência geográfica, empresas mais maduras conseguem posicionar produtos de forma mais eficiente, antecipando a demanda regional e reduzindo tanto rupturas quanto excessos.
A desconexão entre canais também continua sendo uma fonte relevante de ineficiência. Apesar do avanço do omnichannel, muitas operações ainda funcionam em silos, separando estoques e estratégias entre físico e digital. Essa fragmentação compromete a experiência do cliente e dificulta o uso otimizado dos recursos.
Iniciativas como o ship-from-store apontam um caminho mais eficiente, ao transformar lojas físicas em hubs logísticos. Aproveitando a capilaridade já existente, é possível reduzir custos de entrega e ganhar velocidade, sem a necessidade de grandes investimentos em infraestrutura.
A falta de visibilidade em tempo real é outro gargalo importante. Sem dados integrados, decisões são tomadas com base em informações parciais, o que limita a capacidade de resposta. Por outro lado, empresas que utilizam dashboards e inteligência analítica conseguem identificar limitações rapidamente e ajustar suas operações de forma dinâmica.
Mais do que tecnologia, essa transformação exige uma mudança cultural. Muitas empresas ainda operam com base em processos tradicionais e decisões pouco orientadas por dados. Evoluir nesse cenário significa adotar uma abordagem mais integrada, preditiva e contínua.
Além dos ganhos financeiros, a eficiência operacional também se conecta à agenda de sustentabilidade. Reduzir desperdícios implica em otimizar recursos, diminuir deslocamentos desnecessários e melhorar o uso da infraestrutura — fatores cada vez mais relevantes para o mercado.
Em 2026, as perdas financeiras não estão apenas em grandes falhas estratégicas, mas nas pequenas ineficiências do dia a dia. Fretes mal planejados, estoques desalinhados e decisões desconectadas seguem corroendo a margem de forma silenciosa.
A diferença, agora, está na capacidade de identificar e corrigir esses pontos com precisão. Em um ambiente cada vez mais orientado por dados, eficiência deixa de ser apenas uma meta operacional e passa a ser um diferencial competitivo.
*Cláudio Alves é diretor de Linx Enterprise
FONTE: Varejo S.A
