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POR: Alex Akira
Quando o brasileiro precisa recorrer ao nome de terceiros para conseguir crédito, a primeira opção costuma estar dentro de casa
Levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, mostra que 34% dos consumidores utilizaram o nome de outra pessoa ou seja, crédito emprestado, nos últimos 12 meses. Entre eles, a maior parte buscou ajuda no núcleo familiar: 70% recorreram a parentes próximos, especialmente marido ou esposa (26%), pais (23%) e outros familiares (21%).
O dado reforça o papel da família como principal rede de apoio financeiro informal no país, funcionando muitas vezes como alternativa ao sistema tradicional de crédito.
Confiança pesa mais do que qualquer análise de risco
A predominância dos familiares nesse tipo de operação evidencia que o empréstimo de nome está diretamente ligado à confiança pessoal e ao vínculo afetivo entre as partes.
Ao contrário do crédito formal, em que instituições utilizam score, histórico financeiro e análise de risco para aprovar ou negar uma operação, o crédito entre pessoas físicas depende quase exclusivamente da relação construída entre quem pede e quem concede.
Esse fator ajuda a explicar por que os amigos aparecem muito atrás nesse ranking, representando apenas 12% dos casos. Mesmo em relações de proximidade, a disposição para assumir um risco financeiro em nome de outra pessoa tende a ser maior quando há vínculo familiar.
Família assume papel de suporte financeiro em meio à pressão econômica
Mais do que um gesto pontual de solidariedade, os números mostram que o empréstimo de nome se tornou uma ferramenta recorrente dentro da dinâmica financeira de muitas famílias brasileiras.
Em um cenário de orçamento pressionado e crédito mais restrito, o núcleo familiar amplia seu papel tradicional de suporte emocional e passa também a funcionar como uma espécie de avalista informal para viabilizar consumo e acesso a bens e serviços.
Para o varejo, esse comportamento ajuda a explicar como parte do consumo continua acontecendo mesmo quando uma parcela dos consumidores encontra dificuldades para acessar crédito no mercado formal.
O que esse movimento sinaliza para o mercado
Embora opere fora do sistema financeiro tradicional, o crescimento do crédito entre familiares evidencia uma transformação importante na jornada de compra do consumidor brasileiro.
Na prática, parte do consumo já não depende exclusivamente da capacidade individual de crédito, mas da força da rede de apoio ao redor desse consumidor. Isso mostra que, cada vez mais, o poder de compra de muitos brasileiros está sendo complementado, ou viabilizado, por estruturas informais de confiança.
FONTE: Varejo S.A
